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Se você acha que um pato de borracha não pode ser um grande mestre das artes marciais e mentor de todos os heróis que já existiram... bem, sente-se e prepare-se para a verdade.

Tudo começou em um dia pacato, como tantos outros. Eu, Geeky, o ser mais subestimado do universo, estava entediado. Meu dono, Arnold, havia saído para trabalhar e me deixado sozinho na prateleira. O tempo parecia se arrastar, e minha mente inquieta ansiava por algo mais. Eu queria aventura, emoção, algo que quebrasse a monotonia do dia a dia.

Enquanto olhava pela janela, vi algo que despertou minha curiosidade: um pequeno barco de madeira encalhado na areia da praia. Parecia abandonado há anos, com velas desgastadas pelo sol e um casco que já conhecera tempos melhores. Ainda assim, havia algo nele que chamava meu nome. Talvez fosse o desejo de sentir a brisa salgada no rosto – ou no que um pato de borracha tem de rosto. Decidi que aquela seria minha chance.

Com um pequeno salto e algumas cambalhotas desajeitadas, rolei da prateleira para o chão e, com esforço, cheguei até a praia. Subi no barco, empurrei-o para a água e deixei a correnteza me levar. O sol brilhava no alto, e o oceano parecia me dar as boas-vindas. Naveguei durante horas, observando gaivotas planando sobre as ondas e peixes saltando ao meu redor.

Por um tempo, a paz me envolveu. O balanço do mar era hipnotizante, e a solidão parecia um presente. Fechei os olhos e deixei o vento guiar meu pequeno barco. Mas, como toda boa história de aventura, a tranquilidade não durou muito.

De repente, o horizonte começou a se cobrir de nuvens escuras. O vento soprou mais forte, e a temperatura caiu. Meu instinto – que, convenhamos, é mais afiado do que a maioria imagina – me dizia que algo estava errado. As ondas que antes eram suaves começaram a crescer, agitadas como se o mar estivesse se preparando para me engolir.

O primeiro trovão rasgou o céu, seguido de um clarão que iluminou a vastidão sombria do oceano. A chuva começou a cair, primeiro em pequenas gotas, depois em torrentes furiosas. O barco foi sacudido de um lado para o outro, como se fosse um simples graveto jogado na correnteza. Meus olhos – imaginários, claro – se arregalaram quando uma onda monstruosa se ergueu diante de mim.

Não tive tempo de reagir. A água me envolveu, girando e me puxando para o fundo. Tudo era escuridão e confusão. Senti-me como um brinquedo esquecido na banheira de um titã. Tentei nadar, mas o mar me arrastava para onde bem entendia. Até que, de repente, tudo ficou quieto.

Quando despertei, a primeira coisa que senti foi um cheiro de terra molhada e o som das ondas quebrando na costa. Meu corpo, apesar de ser de borracha, parecia exausto. Levantei-me lentamente e olhei ao redor.

Estava em uma praia estranha, de areia escura e densa, quase negra como carvão. Ao longe, vi penhascos altos e árvores antigas, cujos galhos retorcidos pareciam se mover com o vento. A névoa cobria o topo das montanhas, e um silêncio absoluto dominava o ambiente. Havia algo estranho naquela ilha, algo que me dizia que não estava sozinho.

Foi então que notei sombras se movendo entre as árvores. Pequenas, rápidas, como se estivessem me observando. Meu instinto de sobrevivência – que eu havia adquirido sabe-se lá como – me alertou: algo estava prestes a acontecer.

Eu não sabia onde estava, mas tinha certeza de uma coisa: essa ilha escondia segredos que mudariam minha vida para sempre.

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